Ex-vereadora Célia da Stillus capturada mais de 2 anos após ser condenada por compra de votos

Por moises eustaquio - 12/09/2018 14:37

Condenada a mais de 4 anos de prisão por compra de votos para eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal em Andradina, a ex-vereadora Célia Regina de Souza, a Célia da Stillus, foi capturada na manhã desta quarta-feira 12, por policiais civis.

Ele estava na casa da mãe, na Rua Quintino Bocaiúva, centro de Andradina, e era considerada foragida desde a decisão judicial expedida em 23 de agosto de 2016 pelo juiz Daniel Nakao Malbashi, da 1ª Vara da Comarca.

Célia da Stillus foi condenada, inicialmente, a seis anos de reclusão no regime semi-aberto e a 97 dias-multa, acusada de comprar votos para se eleger presidente do legislativo em 2004. Ela também perdeu os direitos políticos. Ao menos três vereadores foram envolvidos no caso, todos também penalizados pela Justiça.

A vereadora, à época, recorreu ao Tribunal de Justiça e conseguiu reduzir a pena, mas optou em fugir da cidade. Essa decisão, segundo um familiar, foi tomada porque a ré se viu preocupada com o estado de saúde da mãe, que comentou não ter condições para suportar vê-la atrás das grades.

Desde então policiais vinham realizando buscas e monitorando ligações telefônicas e placas de veículos que a condenada estaria utilizando. As equipes promoveram, inclusive, buscas no Litoral Paulista, onde havia informações de que ela estaria morando.

Contudo, foi uma denúncia anônima que possibilitou sua captura nesta quarta-feira.

O caso repercutiu na imprensa local e regional, principalmente porque um dos repórteres que registrava a prisão foi agredido por um sobrinho da ex-vereadora.

O rapaz, que teria apertado o pescoço do fotográfico de modo traiçoeiro, foi contido por policiais civis e chegou a ser detido pelo delegado Tadeu Coelho ao se recusar a se comportar dentro do espaço público. Posteriormente mudou de postura e foi liberado a pedido dos repórteres presentes. Mas a vítima pretende registrar queixa contra o agressor, para que casos semelhantes não venham se repetir.

Presa, Célia da Stillus não quis gravar entrevista, mas em poucas palavras tentou justificar a compra de votos para ocupar a principal cadeira do legislativo. Ressaltando que ele legislou por três mandatos.

“Qual vereador nunca comprou votos? Felizmente não cometi nenhum assassinato, estelionato, estupro, roubo ou outro crime grave e ao longo de minha vida só fiz bem para essa cidade”, concluiu.

Célia da Stillus foi submetida a exame de corpo de delito e levada ao presídio em Tupi Paulista para iniciar o cumprimento da pena. Ela agora põe sua esperança de liberdade em recurso impetrado junto à instância superior em Brasília.

“No Brasil, a Justiça vem sendo feita e isso é o que interessa. Para cada ação há uma reação, uma lei natural. Célia da Stillus praticou crime, foi condenada e está sendo presa. Posteriormente, se a Justiça em Brasília entender que ela deve ser solta isso também deve ser cumprido”, comentou o delegado Tadeu Coelho.