https://www.infomoney.com.br/ -09/09/2026 18:43
O mundo entrou em uma "zona de perigo de eventos
climáticos extremos" à medida que os efeitos do El
Niño começam a ser sentidos globalmente, alertou António Guterres,
secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
A Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma agência da
ONU, divulgou os dados mais recentes sobre o fenômeno natural indicando que
este El
Niño pode ser o mais forte em mais de 70 anos e durar pelo menos até
fevereiro de 2027.
O El Niño altera os padrões climáticos em
diferentes partes do mundo, provocando secas em algumas regiões e tufões mais
intensos e enchentes em outras. São esperadas, por exemplo, chuvas acima da
média em partes do leste da África, do sul do Brasil e do sul dos Estados
Unidos, aumentando o risco de enchentes.
Meteorologistas também afirmam que o El Niño elevará as
temperaturas em alguns lugares, somando-se ao aumento da temperatura global
provocado pelas mudanças climáticas causas pela atividade humana.
"O El Niño está ganhando proporções gigantescas diante
dos nossos olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está
entrando em águas desconhecidas, e essas águas estão ficando mais
quentes", disse Guterres, da ONU.
“Se essa trajetória continuar, ele poderá ser mais forte do
que qualquer outro desde o
início de nosso monitoramento. Literalmente, fora dos gráficos”, disse a
secretária-geral da OMM, Celeste
Saulo, em uma coletiva de imprensa em Genebra. O El Niño é um aquecimento
periódico das temperaturas da superfície do mar no Pacífico oriental, causado
pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Ele ocorre a cada dois a sete anos e
tende a durar até 12 meses, causando chuvas intensas e secas em toda a América
Latina.
Um El Niño muito forte pode alterar significativamente os
padrões de precipitação e temperatura em todo o mundo e alimentar fenômenos
climáticos extremos, como secas e tufões.
Aquecimento do oceano
Embora seja um fenômeno natural e não esteja diretamente ligado
às mudanças climáticas causadas pelos combustíveis fósseis, ele pode ser
intensificado pelo aquecimento das temperaturas oceânicas, que de facto está
ocorrendo.
“O El Niño está se tornando gigantesco diante dos nossos
olhos. A ciência não deixa margem para dúvidas: o planeta está em águas
desconhecidas, e essas águas estão se aquecendo”, afirmou o secretário-geral da
ONU, António Guterres.
As temperaturas medidas no Oceano Pacífico durante o El Niño
deste ano — um dos apenas quatro classificados na
categoria máxima de “muito forte” nos registros que remontam a 1950 — já
estão mais de 2 graus Celsius acima do normal, informou a OMM.
O fenômeno já causou
impacto nas commodities agrícolas nas regiões tropicais, provocando uma grave
crise alimentar em todo o Corredor Seco da América Central.
O pico está previsto para o final deste ano, informou a OMM
em comunicado. Mas seus efeitos continuarão até 2027 e devem deixar
temperaturas globais mais altas no ano que vem, afirmaram autoridades da OMM.
“Normalmente, após um evento de El Niño, tendemos a observar uma oscilação nas
temperaturas globais — algo temporário”, disse Wilfran Moufouma Okia, chefe dos
serviços de previsão climática
da OMM, aos repórteres, referindo-se a 2024, que foi o ano mais quente até
agora. “2027 tem potencial para ser o ano mais quente já registrado.”
A OMM informou que está intensificando os esforços de
preparação e alerta precoce para permitir que os países tomem medidas
antecipadas, como a adoção de culturas resistentes à seca em algumas regiões.