Prefeito Gilson e servidores aguardam audiência de custódia para relaxamento de prisões

Por sérgio nunes e redação - 13/06/2018 22:25

O procurador jurídico da Prefeitura de Murutinga do Sul, Cristiano De Giovanni Rodrigues, informou há pouco que o prefeito Gilson Pimentel e os quatro servidores da administração municipal detidos hoje à tarde, por causa de um inquérito policial que investiga a utilização inadequada de área no município para depósito de lixo, vão ter que aguardar até amanhã para passarem por audiência de custódia no Fórum da Comarca de Andradina. 

Por volta das 20h20, o Boletim de Ocorrência e o auto de prisão em flagrante ainda não haviam sido concluídos, mas o delegado não tem poder de arbitrar fiança para este tipo de ocorrência, por isso, a autoridade policial tem prazo de 24 horas para apresentar os murutinguenses ao juiz, o que deve ocorrer amanhã (14), a partir das 13h, no Fórum de Andradina, quando espera-se que o juiz relaxe a prisão.

O prefeito e os quatro servidores foram encaminhados à Delegacia no início da tarde, depois que policiais teriam flagrado os funcionários depositando o lixo na área conhecida como “lixão”, local em que a Cetesb já havia proibido lançar resíduos sólidos.

Uma ultima informação dava conta de que o prefeito será mantido na Seccional e os demais servidores encaminhados à cadeia em Lavínia, onde aguardarão a audiência.

MULTAS ANTERIORES E AÇÕES AMBIENTAIS

Quando assumiu a Administração, em janeiro de 2017, o prefeito Gilson tomou conhecimento de que a Prefeitura já havia recebido duas multas por causa do “lixão”. Diante disso, Gilson iniciou um trabalho com os gestores da região, que enfrentam problema semelhante, e em 11 de janeiro deste ano, reuniu os prefeitos da AMENSP - Associação dos Municípios do Extremo Noroeste – no evento denominado “Encontro Regional dos Resíduos Sólidos”.

A reunião aconteceu na Câmara Municipal de Pereira Barreto. Coincidentemente, na tarde deste mesmo dia, um agente da CETESB abriu Boletim de Ocorrência contra a Prefeitura de Murutinga denunciando o uso irregular de aterro no “lixao”.

A reunião de trabalho, idealizada pelo Consórcio Intermunicipal do Extremo Noroeste do Estado de São Paulo (CIENSP) e Associação dos Municípios do Extremo Noroeste do Estado de São Paulo (AMENSP), contou, naquele dia, com a participação do diretor da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB/SP), Geraldo do Amaral Filho, do deputado estadual Reinaldo Alguz (PV), do presidente do CIENSP (prefeito de Murutinga do Sul), Gilson Pimentel, e da prefeita de Andradina, Tamiko Inoue [foto anexa]

Desde aquela data, os prefeitos vêm buscando apoio e estudos para instalar um aterro regional, mas trata-se de um trabalho que exige um esforço muito grande. O prefeito Gilson Pimentel não tem medido esforços para solucionar o problema e defende que a união dos municípios da região é de fundamental importância para atitudes ecoeficientes e para que as cidades sejam duplamente beneficiadas, primeiro por parar de enterrar lixo e agredir o meio ambiente, e, depois, porque o lixo pode gerar emprego e renda para a população. 

MEDIDAS SEM RECURSOS

Embora saiba que o problema só terá solução definitiva com união regional, o prefeito Gilson Pimentel não deixou de adotar medidas para solução caseira do problema.

Ele tem feito economia e estudos para adquirir a área anexa ao lixão, onde ainda comportaria um aterro por um tempo, até que se tivesse a solução regional, mas além dos entraves burocráticos, a Prefeitura ainda esbarra em um problema mais sério: A falta de recursos financeiros.

Com pouco mais de 4 mil habitantes, a cidade é formada por pequenas propriedades rurais, três assentamentos agrários e um pequeno comércio. A própria Prefeitura é a maior empregadora do município, o que minimiza os recursos para investimentos. 

Ontem, foi debatida também a possibilidade de se recolher o lixo da cidade e armazená-lo em contentores e destes para aterros de uma cidade próxima. A solução imediata resolveria o problema do destino do lixo, mas criaria um sério problema financeiro para o município que já tem grave crise econômica.

Ontem, o prefeito Gilson lamentou o ocorrido. “Herdamos o problema, não o causamos, estamos trabalhando em duas frentes, em nível regional e em nível local na negociação de uma área e seguindo orientação da CETESB”, comentou o prefeito. 

Nota da Redação

Gilson não é vilão nesta tragédia: é vítima, tanto quanto a população de uma cidade inteira que depende de recursos e investimentos dos Governos Federal e Estadual para cuidar de questão de saneamento básico, saúde pública e de tantos outros problemas que nos assolam.

Gilson não produz lixo sozinho, manda recolher o lixo que nós, cada um de nós, cidadãos, produzimos. Se o caminhão não recolhesse os resíduos de nossas casas, nós estaríamos jogando-os ao “lixão” ou em tantos outros locais que vemos espalhados ao longo de estradas urbanas e rurais em toda a região.

Se fosse prender cada um que deposita o lixo produzido em suas casas, o boletim de ocorrência ficaria bem maior e duraria alguns dias a mais. O problema da destinação do lixo é uma questão nacional, não é só de Murutinga do Sul, mas o que cada um de nós podemos fazer para modificar essa situação? Ou onde pensam que estão sendo depositados os resíduos sólidos de tantas delegacias, escolas, fóruns e de todo espaço em que haja vida.

O prefeito Gilson e os quatro servidores (dois coletores, um fiscal e um motorista) vão suportar a dor e o peso de passar uma noite detidos pela sujeira produzida por todos nós. Talvez, mais do que todas as ações e todas as buscas feitas por ele até agora, as prisões alcancem maior repercussão e resultem mais frutíferas que o clamor incansável de prefeitos que andam como que mendigos, de chapéu em mãos, pedindo ajuda para seus povos.

Oxalá que estas prisões, em que pesem a dor, a humilhação, a tristeza de toda uma cidade, resultem em um repensar de um Município, uma Região, um Estado e quiçá um País inteiro sobre o lixo nosso de cada dia.